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Carta de mim para mim.

Toda carta tem um remetente e um destinatário. É preciso que alguém escreva para alguém ler, é um objetivo básico de uma carta. Estou escrevendo para mim mesmo, de um lugar que nem eu sei bem onde está. Esse alguém que escreve está dentro de mim, precisando dizer, precisando falar, precisando gritar. Você sabe que você é intenso, imenso, que você por si só se completa, se contempla, se é, mas que as vezes precisa de alguém, de uma companhia, de um companheiro. Carência? Talvez! Insegurança? Sempre. Você sabe muito bem que sempre se sentiu pouco, que sempre se viu pouco, que sempre achou que era o patinho feio, o desagradável e por isso muitas vezes você se colocou em caixas que não cabia, para agradar aos outros e sempre esqueceu de você. Teve aquela vez que você se escondeu, fingiu, mentiu para preservar uma pessoa, que podia até lhe amar, mas não como você o amava. Foram dias bons, meses bons, anos bons, mas passaram e você não percebeu que a cada dia que você aceitava continuar na ...

Sorte existe sim!

Tem gente que diz que não existe esse negócio de sorte, eu discordo. Pra mim é sorte quando você encontra e conhece uma pessoa capaz de mudar toda a sua vida, deixar tudo que tava de cabeça pra baixo em ordem de novo. Pra mim é sorte quando você conhece alguém de mostrar que mesmo depois de se machucar muito você tem possibilidade de amar e de ser amado novamente, basta querer. Pra mim é sorte quando você em meio a tempestade consegue encontrar um abrigo que te protege de ficar molhado e em perigo. Pra mim é sorte quando você descobre que letras de música podem fazer sentido e um sentido todo novo e especial. Pra mim é sorte quando você descobre que uma comida tem muito mais sabor quando é compartilhada com alguém que você ama. Pra mim é sorte quando você encontra alguém que te compreende e te aceita do jeito que você é, independente da forma como você se vê, pra essa pessoal tudo é bonito porque é em você. Pra mim é sorte quando em meio a tanta gente nesse mundo você encontra alguém q...

Acabou!

Acredito que a pior parte de um fim de relacionamento é realmente aceitar que ele chegou ao fim. OS sinais são apresentados de diferentes formas. O beijo esfria, os abraços são quase torturantes, quase não existe conversa, vocês passam a se desentender fácil, tudo é desculpa ou motivo pra desmarcar de se ver, vocês não saem mais juntos sozinhos, o sexo se torna raro e as vezes uma obrigação. Quando você percebe, nem amigos mais vocês estão conseguindo ser. Ai alguém resolve que é preciso decidir, aceitar que o fim chegou. O ruim é que as vezes na busca de encontrar palavras que não machuquem, que não vão ferir aquela pessoa que você já quis tanto bem, você busca falar coisas que não são verdade. "O problema não é você" ou "Eu não estou num bom momento e prefiro me afastar" ou pior ainda "Eu to me afastando de você, mas eu não vou me envolver com ninguém, não estou bem pra isso" e quando você vê, em coisa de semanas (as vezes nem tanto) já existem sorrisos ...
Um dia fui questionado por ser "diferente". Ao passar dos anos essa frase foi se tornando comum "você é diferente dos outros!". Por muito tempo o fato de ser diferente me incomodou, me entristeceu, me fez achar inferior diante daqueles que eram "iguais". Cresci, e ser diferente foi deixando de ser um peso. Não gostar do mesmo que os outros me fazia ter mais experiências, não ir pro lado que todos iam me fazia conhecer novas paisagens. Provar de comidas que os outros achavam estranhas me fazia aguçar o paladar e os anos foram se passando até chegar hoje. Ainda tem diz que sou diferente e que essa diferente me priva e me privará de muita coisa, mas a única coisa que realmente me interessa nisso tudo é que eu aprendi que ser diferente é que me faz ser o que sou. A minha diferença, a sua diferença, incomoda muita gente que vive as sombras de ser igual aos outros, apenas por necessidade de ser notado. Quem é diferente padece em alguns aspectos mas é feliz em ou...

O começo da despedida

Quando da primeira vez te vi, meu coração alarmou, talvez fosse o sinal de alerta natural depois dos últimos acontecimentos. Talvez se aquele primeiro encontro não tivesse acontecido eu não estaria aqui escrevendo pra você, mas também se eu não tivesse sido teimoso nós não teríamos vivido tanta coisa. Teu toque, teu sorriso, teu olhar, teu jeito manso se falar, tua forma simples de me fazer sentir a pessoa mais segura no teu colo foram me conquistando a cada dia. Você esquecia a maioria das coisas? Sim, mas eu já tava tão acostumado com isso que eu até achava legal poder te contar a mesma história e você ouvir empolgado como se fosse a primeira vez. Vivemos momentos lindos e fortes, fizemos planos, concretizamos alguns deles. Foi lindo estar ao teu lado no extremo do país fazendo uma das coisas que mais amamos, pesquisar. Você esteve ao meu lado nos momentos dificeis e nos alegres e eu pude acompanhar contigo teu momento de vitoria, mesmo sentindo que esse foi um dos últimos momentos...

Amanhã

Teus olhos de mar ainda mexem comigo. Teu sorriso ainda me ganha, teu perfume ainda me abraça, tua presença ainda me fascina. É impossível dizer que superei, é inacreditável pra mim isso, não consigo por mais que eu tente. Quando você se aproxima, um Frisson toma conta de mim, não sei, é como se a bateria de uma escola de samba começasse a tocar dentro de mim e eu pulasse de alegria, porém me lembro de tudo que aconteceu, me lembro de como os nossos rumos se desencontraram e eu fiquei só, num escuro deserto. Quando você se aproxima sinto dentro de mim a mesma alegria que uma criança sente ao ganhar o presente que tanto deseja, a mesma alegria que um cão sente ao avistar seu dono, a mesma alegria que uma pessoa que não acreditava na cura tem quando recebe alta, mas a desilusão também se faz grande quando as lembranças de como tudo terminou se fazem presentes, é como se ao abrir o presente a criança percebesse que está quebrado, que o carro que faria seu dono ao cão passa direto pela cas...

Não sei

Não sei quantos caminhos já andei, quantas vezes parei em árvores frondosas pra proar de sua sombra e degustar de seus frutos. Não lembro de quantos lagos já provei da água e de quantas pedras atirei lá dentro na esperança de ver o tempo passar. Não me recordo de quantos sóis já vi se por e muito menos quantos vi nascer. Não me detenho em pensar em quantos corações já me abriguei de chuvas e trovoadas, em quantos casebres me exilei na busca de paz. Não faço ideia de quantas vezes fiz fogueiras dos meus sentimentos pra que a fumaça levasse toda e qualquer lembrança sua que eu ainda teimava em guardar, mas por incrível que pareça, elas continuavam guardadas no mesmo lugar de sempre, naquela caixinha preta em cima do armário empoeirado.