Postagens

Mostrando postagens de 2017

Amanhã

Teus olhos de mar ainda mexem comigo. Teu sorriso ainda me ganha, teu perfume ainda me abraça, tua presença ainda me fascina. É impossível dizer que superei, é inacreditável pra mim isso, não consigo por mais que eu tente. Quando você se aproxima, um Frisson toma conta de mim, não sei, é como se a bateria de uma escola de samba começasse a tocar dentro de mim e eu pulasse de alegria, porém me lembro de tudo que aconteceu, me lembro de como os nossos rumos se desencontraram e eu fiquei só, num escuro deserto. Quando você se aproxima sinto dentro de mim a mesma alegria que uma criança sente ao ganhar o presente que tanto deseja, a mesma alegria que um cão sente ao avistar seu dono, a mesma alegria que uma pessoa que não acreditava na cura tem quando recebe alta, mas a desilusão também se faz grande quando as lembranças de como tudo terminou se fazem presentes, é como se ao abrir o presente a criança percebesse que está quebrado, que o carro que faria seu dono ao cão passa direto pela cas...

Não sei

Não sei quantos caminhos já andei, quantas vezes parei em árvores frondosas pra proar de sua sombra e degustar de seus frutos. Não lembro de quantos lagos já provei da água e de quantas pedras atirei lá dentro na esperança de ver o tempo passar. Não me recordo de quantos sóis já vi se por e muito menos quantos vi nascer. Não me detenho em pensar em quantos corações já me abriguei de chuvas e trovoadas, em quantos casebres me exilei na busca de paz. Não faço ideia de quantas vezes fiz fogueiras dos meus sentimentos pra que a fumaça levasse toda e qualquer lembrança sua que eu ainda teimava em guardar, mas por incrível que pareça, elas continuavam guardadas no mesmo lugar de sempre, naquela caixinha preta em cima do armário empoeirado.

Estive perdido

Numa manhã acordei, lá fora a chuva castigava a alegria de ser dia. Levantei-me da cama com sofrimento, entrei no banheiro, olhei aquela figura monstruosa de uma manhã chuvosa, encarei-me por alguns segundos e disse, vamos lá, de hoje não passa! Entrei em baixo do chuveiro, a água estava tão fria quanto o meu coração esteve nesses últimos meses. Parei por uns segundos e deixei a água cair sobre mim, como quem deseja que não só a sujeira de uma noite saia de si, mas a mancha de uma vida. Terminei, me arrumei, caminhei até a cozinha, procurei qualquer coisa para comer, olhei para o relógio, já eram 7h34, ainda chovia muito lá fora e não tinha muito o que fazer, sabia que se saísse até o ponto de ônibus para pegar a condução das 7h40, me molharia todo e corria o risco de não alcançá-la. Aguardei. Oito e dez o celular tocou, era meu chefe dizendo que passaria para me dar uma carona. Oito e vinte a buzina toca, saio de casa com meu guarda-chuva preto, entro no carro, solto um bom dia e vejo...