Amanhã

Teus olhos de mar ainda mexem comigo. Teu sorriso ainda me ganha, teu perfume ainda me abraça, tua presença ainda me fascina. É impossível dizer que superei, é inacreditável pra mim isso, não consigo por mais que eu tente. Quando você se aproxima, um Frisson toma conta de mim, não sei, é como se a bateria de uma escola de samba começasse a tocar dentro de mim e eu pulasse de alegria, porém me lembro de tudo que aconteceu, me lembro de como os nossos rumos se desencontraram e eu fiquei só, num escuro deserto. Quando você se aproxima sinto dentro de mim a mesma alegria que uma criança sente ao ganhar o presente que tanto deseja, a mesma alegria que um cão sente ao avistar seu dono, a mesma alegria que uma pessoa que não acreditava na cura tem quando recebe alta, mas a desilusão também se faz grande quando as lembranças de como tudo terminou se fazem presentes, é como se ao abrir o presente a criança percebesse que está quebrado, que o carro que faria seu dono ao cão passa direto pela casa, que o paciente acaba tendo uma recaída. Pode parecer fúnebre, mas é real, sinto como se parte de mim tivesse morrido naquele dia, sinto como se parte de mim nunca mais fosse acordar e tenho certeza, não irá mais. Estou tentando me acostumar a ideia não ter mais seu olhar de mar a me receber acompanhado de um largo sorriso de amor, de aceitar os seus abraços como meros cumprimentos de amigos, coisas que sequer treinamos pra ser. Amanhã posso acordar bem, me sentindo vitorioso, no dia seguinte esse ar pode sumir, e eu volto a ser um ser sem luz, que vive eternamente nas sombras da saudade. Mas o que importa nisso tudo é que amanhã eu acordarei, pelo menos acordarei.

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