Carta de mim para mim.
Toda carta tem um remetente e um destinatário. É preciso que alguém escreva para alguém ler, é um objetivo básico de uma carta.
Estou escrevendo para mim mesmo, de um lugar que nem eu sei bem onde está. Esse alguém que escreve está dentro de mim, precisando dizer, precisando falar, precisando gritar.
Você sabe que você é intenso, imenso, que você por si só se completa, se contempla, se é, mas que as vezes precisa de alguém, de uma companhia, de um companheiro. Carência? Talvez! Insegurança? Sempre. Você sabe muito bem que sempre se sentiu pouco, que sempre se viu pouco, que sempre achou que era o patinho feio, o desagradável e por isso muitas vezes você se colocou em caixas que não cabia, para agradar aos outros e sempre esqueceu de você.
Teve aquela vez que você se escondeu, fingiu, mentiu para preservar uma pessoa, que podia até lhe amar, mas não como você o amava. Foram dias bons, meses bons, anos bons, mas passaram e você não percebeu que a cada dia que você aceitava continuar na mentira, você se destruía um pouco, pouco a pouco uma grande parte de você ia morrendo. Morreu.
Teve a vez que você novamente começou a mentir pra você, dessa vez só você se enganou, você sabia no fundo que estava se envolvendo em algo que não podia, que não devia e que não merecia. Tentou, levou com a barriga muito tempo, por medo mais uma vez de ficar só foi levando cada vez mais pro fundo, um fundo que você com certeza não conhecia e não estava habituado. Deixou que lhe mostrasse de uma forma grosseira e sem amor que o caminho que você estava tomando era dolorido demais pra ser vivido.
Continuou a caminhar, e vai continuar porque não é do seu feito parar e deixar que percebam que você não está bem. Lembro até hoje que foi pra aula na faculdade no dia que soube que seu pai havia morrido simplesmente pra ninguém perceber que aquilo lhe afetava. Tolo. Pra não chamar de burro.
Às vezes que você tentou esconder que estava mal, que estava triste, que estava destruído e que por dentro você não tinha mais nada que batesse no compasso certo, mas você continuava ali, de pé, forte, fingindo uma força que até hoje eu não entendi pra quê ou pra quem era.
João, você é forte, mais forte do que imagina, mas você não se conhece e isso é um problema maior que a sua força. Você não pode se esconder e nem gosta, mas também não pode se mostrar quando parecer fraco é tudo o que você tem. Ser frágil é normal pra todo mundo, todo mundo é frágil, em algum aspecto, em algum sentido da vida. Você precisa se conhecer e isso não é um conselho, é uma ordem.
Para de tentar caber onde você não cabe. Pare. Apenas pare.
Você é imenso!
Quando eu falo de não caber onde você não cabe eu me refiro a tudo. Relacionamentos, convivências, religião, tudo, absolutamente tudo. Não aceite pouco, não aceite migalhas, não aceite menos de tudo o que você merece. E você sabe o quanto você merece, você sabe, você pode até não admitir, mas sabe e sabe muito bem.
Pense em você algumas vezes só pra variar. Você antes de tudo, antes de todos e antes de mais nada. Você só vai conseguir ser mais pra alguém quando você for mais pra você mesmo e enquanto você não aprender será difícil manter a sua sanidade.
A propósito, você precisa se controlar mais. Você a muito tempo está fora do seu eixo, e você sabe como retornar ele ao lugar, basta que você se controle mais. Quer chorar? Chora! Quer rir? Ria! Precisa de um tempo só seu? Se permita. Você só precisa encontrar novamente o seu eixo.
Enfim. Eu tô sempre por aqui. Você sabe como me encontrar, ou eu acho que sabe. Quando não souber, só responde essa carta. A mensagem chega.
Fica bem.
João.
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