Vidas Cruzadas - Sam
Foi o primeiro dia na nova cidade, tudo era novo e eu não fazia a mínima ideia de como seria a vida ali. Cheguei no alojamento por volta de 14 horas e não encontrei muita gente. No salão principal havia algumas garotas que pareciam ser mais velhas, provavelmente já eram veteranas. Subi as escadas e encontrei o meu quarto no fim do corredor da direita, número 11. Entrei, haviam três camas, sendo uma delas um beliche. Na parede ao lado do beliche de cima havia um papel escrito SUH em letras bem rabiscadas, o que provavelmente indicava que aquela cama já tinha dona. Entrei na cama ao lado da janela um envelope amarelo que dizia “novata”, presumi que aquela seria a cama que me restara, sentei, olhei pela janela e vi o movimento pelos jardins, seria o primeiro dia de muitos a serem vividos ali.
Pouco tempo depois duas garotas entraram no quarto sorridentes, uma delas usava uma jaqueta de couro branca e tinha os cabelos negros, seu sorriso era envolvente e seus gestos eram firmes e leves como os de uma bailarina. A outra garota usava um vestido amarelo, tinha a pele morena e os cabelos enrolados e os seus olhos tinham uma cor diferente, era como se eles fossem a extensão do sol no rosto dela, as duas pareciam ter saído de um filme.
Eu era apenas a menina nova e nada muito interessante, era ruiva, usava óculos de grau desde os cinco anos, e branca o suficiente para evitar sair ao sol com pouca roupa. Elas me analisaram dos pés à cabeça, Emily, a de vestido amarelo, logo deu um largo sorriso e se apresentou. Mag meio desconfiada apenas me olhou, desejou boas vindas, arremessou as malas sobre a cama e saiu, Emily fez o mesmo com as malas, colocando em cima da cama de baixo do beliche, olhou para mim, deu um pequeno aceno e saiu. Durante aquela fração de segundos não sabia se ter ido parar naquele quarto foi uma boa ideia, porém, era o que eu tinha praquele dia.
Comecei a desfazer as malas, colocando minhas roupas no espaço destinado a cama número três, tinha exatamente uma gaveta no armário, uma porta e uma gaveta na cômoda. Enquanto pendurava as camisetas entrou aquela que provavelmente seria Suh. Uma garota extremamente diferente das outras duas. Suzane era magra, tão branca quanto eu, usava um penteado muito estranho, seus cabelos eram azuis, ela também usava óculos, parecia que havia sido arrancada de uma revista de mangá. Ela entrou no quarto, disse boa tarde, apresentou-se, me ofereceu uma barra de chocolates e sentou-se em sua cama, nos altos do beliche, como se me esperasse terminar de arrumar tudo pra poder conversar.
Quando estava quase terminando, Emy e Mag entraram novamente no quarto, disseram oi pra Suh e começaram a desfazer suas malas também. Entre calças e camisolas, trocamos algumas palavras, descobri que Suh estudava ciências econômicas, Emy estudava biologia e Mag ciências políticas, as três estavam no segundo ano e estavam no mesmo quarto desde seus primeiros dias de aula. Suh comentou que a outra companheira delas, Virginia, que já está no último ano teve de mudar de alojamento pois precisava ficar próxima a colega de laboratório, as duas estavam trabalhando em um projeto com bactérias e passavam mais tempo entre microscópios e lâminas do que em seus dormitórios.
As coisas pareciam normais, afinal era o primeiro dia. As aulas iniciariam na segunda e eu teria o meu primeiro fim de semana na faculdade, longe de meus pais e prestes a viver muita coisa nova. Não fazia ideia do que viria a acontecer, mas tenho certeza que muita coisa poderá transformar a minha vida.
Sou Samantha, tenho 17 anos e vou estudar psicologia. Nunca passei mais de 36 horas longe dos meus pais e provavelmente daqui a duas semanas estarei desejando estar em casa sendo bajulada pelos dois. Bom, acho que é isso, e vocês, o que tem pra me contar?
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