Três
São três horas da manhã, lá fora só se ouvem os grilos, aqui dentro a respiração leve do cachorro e o zumbido dos mosquitos, tudo está tranquilo, tudo está normal. Não consigo dormir, talvez eu esteja acordado em seu sonho, tentando fazer real o meu desejo de estar com você agora. Sinto não poder e isso me machuca, me tortura, me atormenta. Mas sei que um dia, quem sabe amanhã, quem sabe no ano que vem, eu tenha você pra mim todos os dias, sem previsão de chegada, sem atrasos e sem saídas bruscas. Que nossos cálculos nao sejam de quantas horas estaremos juntos e sim de quanto tempo temos pra viver juntos ao lado na eternidade.
São três e quatro da manhã, la fora cantam os grilos, aqui dentro só ouço a respiração ofegante do cachorro e o bater forte do meu coração te chamando a junto com ele entoar a serenata da paixão, onde ao fim, as bocas se tocam fazendo que toda canção vire silêncio e todo sentimento vire a representação da eternidade.
São três e cinco, lá fora cantam os grilos e eu sei que no intenso de seus sonhos eu estarei presente buscando ser real no seu mundo imaginário.
São três e seis, lá foram cantam os grilos, e apenas isso. Estou me entregando aos braços do desejo para que dentro de mim a saudade seja o consolo da solidão que esta noite me trás.
Agora são três e sete e eu apenas te desejo. Apenas te quero. Apenas te amo. Apenas.
São três e oito, lá fora cantam os grilos. Lá fora.
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